Diabetes, minha vida diabética

Há aproximadamente 10 anos fui diagnosticado diabético tipo 1. Não foi uma surpresa, ao menos não para mim, meu pai já era diabético e há pouco mais de um ano, havia passado por um transplante de rins e pâncreas, que ‘curou’ o diabetes, mas não todos os problemas decorrentes de um mal tratamento. Não o culpo, de forma alguma, na época dele, não havia a tecnologia e conhecimentos que temos à nossa disposição hoje. Ainda lembro de quando ele me contou que ao ser diagnosticado o médico lhe disse que ele poderia comer apenas arroz e alface.

Durante alguns anos tentei diversas ferramentas para acompanhar o meu tratamento, cadernos, planilhas no Excell, folhas soltas, programas no celular e o no palm. As ferramentas funcionavam, durante os primeiros dias apenas, depois eu perdia a paciência, o estímulo e o ânimo e as abandonava. Durante algum tempo cheguei a abandonar o tratamento, de certa forma, já não fazia as medições, não tomava insulina do jeito certo e devo ter ficado uns dois anos sem me consultar com um endocrino.

Vídeo que fiz em 2008, para o dia mundial do diabetes, 14/nov.

Depois de alguns anos pensando sobre o assunto, decidi encarar a tarefa e criar o Glicemias Online, durante quase dois anos, meu dia-a-dia foi o trabalho direto com o site, blog, outros diabéticos, e eu mantive um controle invejável, descobri diversas singularidades do ‘meu diabetes’ e pude evoluir muito o meu tratamento. Até que o excesso de trabalho e a enorme lista de ‘coisas-a-fazer’ me distraiu e eu acabei medindo menos, controlando menos e corrigindo mais. Até mesmo deixei de anotar alguns dados no Glicemias Online, por pura negligência minha, preguiça mesmo.

Manter-se fiel a um tratamento que dura para sempre é algo muito complicado. Muitas vezes, tarefas urgentes e o estilo de vida caótico (por falta de outra palavra para descreve-lo) acabam nos desviando desse objetivo. Como os sintomas da hiperglicemia, não aparecem de uma hora para outra (a não ser que você tome uma lata vermelha de coca-cola), e nem a consequência do mal controle aparecem na mesma semana em que ‘escorregamos’, temos a tendência em ‘fingir’ que eles não existem, “não vai acontecer comigo, eu voltarei a me tratar direito antes disso”.

Mas quando assustamos já estamos com a A1C lá nas alturas, e durante alguns meses ‘machucamos’ o nosso organismo de uma forma irreversível.

Ouvir nossos médicos nos dando os puxões de orelha, pode nos fazer pensar: “Ele não sabe do que está falando.” ou “Não é ele que se espeta 100 vezes no dia, por isso fala que é fácil”.

No final das contas, o importante é cuidar para se cuidar sempre, e mesmo que escorreguemos vez ou outra, devemos voltar ao tratamento o quanto antes. Conversar com outros diabéticos, compartilhar suas anotações e conquistas (aquela H1C < 7, ou menor que a última medição, e porque não comemorar essas pequenas vitórias?), nos ajudam a manter o ânimo para o tratamento. E a consequência é que teremos uma vida melhor…

Quer compartilhar com a gente o seu caso? Conte nos como você usa o Glicemias Online, ou qualquer outra ferramenta, pra cuidar da sua saúde.

Os comentários estão fechados para este post.