Diabetes e aventuras

GOPR6050.00_01_39_36.Still002_wpEu sempre fui adepto à aventura, riscos, adrenalina de algum jeito, mesmo morrendo de medo, sempre optei por encará-los. Quando descobri que era diabético estava me preparando para uma escalada no Pico da Neblina. Logo depois surgiu o AventuraDiet, um blog em que escrevia sobre diabetes e esportes de aventura.

O tempo passou e o AventuraDiet acabou dando origem ao GlicemiasOnline, e as aventuras foram ficando diferentes, e sendo contadas em outro lugar, o Queroir.la.

Em 3 dias, sairei para mais uma das minhas loucuras. Vamos, eu e a Nádia (minha esposa), de São Paulo, para o Deserto do Atacama, no Chile.

Serão 9.000 km, durante 19 dias, passando por 13 cidades em 3 países diferentes (Brasil, Argentina e Chile), indo pelo centro-sul da Argentina, subindo a costa do pacífico desde Santiago até San Pedro de Atacama, e voltando pelo norte da Argentina.

Além de toda a preparação da moto, roupas, equipamentos, etc… Eu também preciso me preparar “diabéticamente”. Como levar insulina, como fazer em caso de hipoglicemia ou hiper? Como manter meu controle, e como guardar todas essas informações no GlicemiasOnline, sem ter acesso à internet?

Hipo/Hiper

A 110km/h equilibrando-se em cima de 380Kg de moto + garupa + bagagem, e você começa a transpirar, as mãos perdem a firmesa e o chão é o destino certo. O resultado pode ser desastroso. Ter uma hipoglicemia enquanto pilota é algo impensável, mas como evitá-la se você está cruzando quilometros e mais quilometros de estrada em um país que não conhece e sem saber quando vai encontrar um posto que tenha algo para comer?

A regra de ouro do motociclismo é pare sempre, aproveite qualquer desculpa para parar a moto, descer, esticar as pernas e distrair um pouco. A autonomia da nossa moto nos obrigará a parar a cada 250km, aproximadamente. Então decidimos que vamos parar a cada 200km no máximo. A cada parada, as obrigações para o diabético aumentam: além de abastecer a moto, esticar as pernas e beber água, precisarei medir minha glicemia, corrigir com insulina ou carboidrato.

Para as hipos, levo comigo sachês de carboidrato, esses que atletas de final de semana adoram comprar. Sempre dois na jaqueta para acesso fácil. Baixou um pouco a glicemia, já coloco um para dentro da boca e previno uma futura hipo.

50º Graus, e a insulina?

Cruzando estradas sob o sol forte, tudo que estiver dentro das malas vai “cozinhar” inclusive a insulina, e isso não é nada bom.

Reservei um espaço especial, no fundo da mala traseira da moto, para caberem duas placas de gelo (ou gelo reciclavel como também chamam), que ficaram uma em cima e outra em baixo de um pequeno tupperware onde estarão os frascos de insulina.

Toda a roupa em volta desse espaço, servirá também como isolante térmico, fazendo com que o gelo dure mais tempo e mantenha refrigerada toda a insulina que precisarei durante a viagem.

Chegando nos hoteis em que vamos pernoitar, uma das primeiras coisas a fazer é colocar os gelos no freezer, a insulina na geladeira, e não esquecer de pegá-las na manhã seguinte.

O glicosímetro também não pode esquentar muito, então, vai junto das roupas, mas não precisa ficar tão protegido quanto a insulina.

Você pode acompanhar nossa aventura pelo Queroir.la.

#doisnaestrada #vemcomagente

Um comentário para “Diabetes e aventuras”

  1. Tamires 14 maio 2016 at 19:53 #

    Não é fácil experimentar aventuras e manter a diabetes sob controle, não é? Mas você está provando que com uma boa dose de bom humor e força de vontade podemos fazer o que quisermos. Nenhuma condição física é desculpa para aproveitarmos cada momento da nossa vida.