A família diante do diabetes da criança ou adolescente

Neste texto de estreia aqui no blog gostaria de falar sobre a família diante do diagnóstico do diabetes da criança ou do adolescente. Em primeiro lugar, sabe-se que nenhuma família está preparada para uma situação de adoecimento de seus filhos. Por ser uma doença de início comumente abrupto na faixa etária em questão, a família fica extremamente insegura com tantas adaptações necessárias para um bom controle e manutenção da doença. A imaturidade dos filhos, muitas vezes é um dos principais impasses enfrentados principalmente pelas mães, as quais estão mais próximas. Outra questão preocupante é se os filhos saberão manejar o diabetes sozinhos, sem a sua supervisão, como, por exemplo, quando estão na escola ou em alguma atividade de lazer.

O que os pais e os outros membros da família mais próximos devem fazer diante de tantas mudanças? Não existe exatamente uma receita a ser seguida, mas sugere-se uma postura de oportunizar o desenvolvimento da autonomia da criança ou do adolescente, de acordo com as limitações de cada faixa etária. É importante também que o medo e o sentimento de proteção não impeçam a possibilidade de um viver dentro do que se pode dizer normal, ou seja, que a criança ou o adolescente com diabetes possa participar de atividades corriqueiras da sua idade. Isso os tornará seguros diante de outras situações do cotidiano e certamente, eles saberão que terão de ser responsáveis pelo controle da doença, mas não necessitarão de serem privados ou tolhidos no que desejarem fazer.

A família tem muita importância no manejo da doença e também deve conhecer minimamente os sintomas de hipo e hiperglicemia, afim de que possam auxiliar na correção dessas complicações agudas, pois muitas vezes, no início, a criança ou o adolescente não percebem os sintomas ou não têm condições de corrigir.

A configuração da família também pode sofrer modificações com a chegada da doença,ocorrendo aproximações ou afastamento entre os membros.Conflitos pelas diferenças de faixa etária ocorrerão, independentemente da presença do diabetes. Deve ser incentivado o respeito mútuo entre as limitações de cada um, considerando que o diabetes e tudo que está envolvido, inclusive acréscimos de “broncas” dos pais, por eventuais descompensações, não devem ser impedimento para um bom convívio familiar.

Este é meu primeiro texto aqui, portanto, permitam que eu me apresente. Sou Vanessa Cabral, enfermeira, mestre em Ciências pela Escola de Enfermagem da USP, voluntária na Associação de Diabetes Brasil e… tenho diabetes tipo 1!

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